terça-feira, 31 de maio de 2011

Era um típico dia de verão, mas ela não estava acostumada. Por onde andara por todo esse tempo? Como perdeu tanto tempo em lugares banais com pessoas banais? Mas agora não importava mais, estava de volta. Estava em casa. Depois de todo esse tempo. Casa? Era a mesma casa, o mesmo endereço, a mesma esquina onde deu o primeiro beijo. Sim, era a mesma casa, sem duvidas. Ela nunca esqueceria aquelas paredes amarelas, apesar de já desbotadas. Mas ainda falta algo.
Ela entrou. Os mesmos moveis velhos, os mesmos livros, agora empoeirados, as mesmas estantes. Olhou ao redor. Ainda faltava algo. Começou a procurar desesperadamente algum sinal qualquer que mostrasse o que faltava. Algum sinal de arrombamento, talvez, alguma mudança recente, algo que ocorreu nesses seis anos que passou fora. Então ela viu uma sombra no chão, embaixo de uma das estantes. Abaixou e o pegou. Era uma velha foto, de seus 15 anos. Olhou seu rosto na foto; era tão novo, tão sorridente. Tão diferente de como estava agora. E do lado Del, havia o sorriso mais belo que já conheceu. Então percebeu o que faltava. Não era algum objeto, era esse sorriso. Ela se esquecera de como eram encantadores aqueles lábios. Era isso que faltava.
Um dia eu olhei para o alto, nunca pensei que viria algo assim, mas acabei o encontrando...
Era extraordinário, eu podia sentir as nuvens ao meu lado e o azul me engolir como uma minúscula molécula de oxigênio sendo envolvida por água.
Era como voar, sentir a terra, ver de perto os picos de altas montanhas e o vento bater no corpo como uma leve seda se arrastando por cada pequeno pedaço de mim.
Ver o rio desaguar no mar; borboletas, gaivotas, pelicanos, tudo voava! E tudo uma hora pousava para depois alçar voo novamente.
O horizonte era branco, azul, cinza, marrom e verde, não parecia nunca ter fim e eu podia ouvir uma folha ou outra acomodar-se no chão suavemente.
As vozes ao meu redor se tornaram apenas um som e minha atenção estava lá, dispersa e compenetrada naquilo que fazia minha imaginação alçar voo, meu corpo parecia tão leve que eu quase podia sentir meus pés levantando do chão. O Sol estava brilhante, o clima quente e eu estava muito feliz.
Depois de tantas vezes olhar para cima e não ver nada, eu finalmente vi, o céu.

domingo, 8 de maio de 2011

Estou mais irritada, mais instável, mais impaciente, mais inconformada, mais desesperada, mais cansada, mais destruída, mais desanimada, mais triste, mais perdida, mais confusa... Eu estou cada vez mais não eu.
(Acho que o vestibular faz isso com a gente).